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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Padronizando a linguagem no Neurointensivismo



As escalas neurológicas são ferramentas formadas a partir da coesão de características gerais e ou específicas do paciente em questão. Podem refletir o quadro clínico; avaliar gravidade; estabelecer o prognóstico; determinar a conduta; mensurar o grau de ressecção neurocirúrgica; mensurar os efeitos da intervenção terapêutica; descrever as modificações do exame neurológico; uniformizar a linguagem científica, auxiliando a realização de estudos multicêntricos.


Este curso tem como objetivo descrever e discutir acerca das principais escalas utilizadas a beira do leito, fornecendo os pilares da linguagem no neurointensivismo. 

Participem!!!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Mensurando o volume da Hemorragia Intracerebral Espontânea: Kothari versus Planimétrico

Mensurando o volume da Hemorragia Intracerebral Espontânea: Kothari versus Planimétrico


A hemorragia intracerebral (HIC) representa 10-15% dos eventos vasculares encefálicos, com uma taxa de mortalidade de 35-52%; metade das mortes ocorre nos primeiros dois dias após o evento. Dos 67000 pacientes estimados a apresentarem HIC nos Estados Unidos no ano de 2002, esperava-se que apenas 20% apresentassem independência funcional após 6 meses. O volume do hematoma é considerado uma variável independente de mortalidade (Broderick JP).

O volume do hematoma pode ser estimado utilizando o método Kothari (ABC/2) no qual o corte representativo do centro do hematoma é selecionado: o comprimento máximo linear ântero-posterior (A) em cm foi multiplicado pela largura máxima (B) em cm e pela profundidade máxima (C) em cm. A profundidade máxima (C) foi determinada pela multiplicação do número de cortes no qual o hematoma foi visto pela espessura do corte determinada pelo tomógrafo. Para obter o volume em cm3, o produto final foi dividido por 2. Cortes com diâmetro menores a 25% são descartados, entre 25-75% considerados pela metade.





Recentemente um estudo brasileiro  observou que o método Kothari subestima o volume do hematoma  em 14,9% quando comparado ao método planimétrico (determinado por softwares que avaliam através de imagem DICOM).

MAEDA, Adriano Keijiro et al. Hematoma volumes of spontaneous intracerebral hemorrhage: the ellipse (ABC/2) method yielded volumes smaller than those measured using the planimetric method. Arq. Neuro-Psiquiatr. 2013, vol.71, n.8

Patriota, Gustavo Cartaxo et al. Determining ICH Score: can we go beyond?Arq. Neuro-Psiquiatr., Sept 2009, vol.67, no.3a, p.605-608.

domingo, 18 de agosto de 2013

Modelos Matemáticos Hemorragia Intraventricular

Modelos Matemáticos  Hemorragia Intraventricular  (HIV)




O volume do sistema ventricular é estimado em aproximadamente 30.9 +/_ 5.7 ml. O ventrículo lateral é constituido de cinco partes: corno frontal, corno occipital, corno temporal, átrio e corpo ventricular. O terceiro ventrículo se comunica com os ventrículos laterais através do forâmen de monro. O quarto ventrículo se comunica com o terceiro ventrículo através do aqueduto cerebral e com o espaço subaracnóide através dos forâmens de Magendie e Luschka. 
A presença prolongada da hemorragia intraventricular causa diminuição do nível de consciência, pode ocasionar hidrocefalia obstrutiva ou não obstrutiva (alteração funcional ou estrutural das granulações aracnóideas).

Os modelos matemáticos hemorragia intraventricular facilitam o raciocínio a beira leito para diferenciar os diferentes níveis de hemorragias e estratégias neurocirurgicas para as mesmas.




Neuroradiology 1978; 16: 187-189.
J Neurosurg. 2012 Jan; 116 (1):185-192.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cirurgia na Hemorragia Intracerebral Espontânea

Cirurgia na Hemorragia Intracerebral Espontânea


Turkish Neurosurgery 2011, Vol: 21, No: 1, 6-14

- Baseado nesta metanálise devemos operar pacientes com escala de coma de Glasgow ≥ 6 e com volumes ≥ 40 ml. 
- A melhor técnica cirúrgica (craniotomia, estereotaxia e endoscopia) não esta estabelecida através desta metanálise.
- A cirurgia precoce (< 24 horas) favorece um melhor prognóstico.


Hematoma Putaminal Direito operado através de minicraniotomia frontal com acesso através do giro frontal médio direito.


Hematoma Lobar Occipital esquerdo operado através de minicraniotomia.


Hematomas lobares múltiplos (temporal e parietal direito) operado através de minicraniotomia.


Hematoma cerebelar direito operado através de acesso fossa posterior associado a derivação ventricular externa transitória.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Modelos Matemáticos das Escalas AVCH



As escalas de hemorragia intracerebral espontânea visam o entendimento fisiopatológico da doença, determinando a mortalidade e dependência funcional. Modelos matemáticos utilizando regressão logística identificam variáveis clínicas e tomográficas. A associação destas variáveis tornam-se ferramentas úteis  nas unidades de emergência para uma compreensão global de um paciente portador de doença cerebrovascular.

Em 2001, Hemphill idealizou a escala "ICH Score" que associa variáveis clínicas e tomográficas. Esta escala apresenta acurácia na determinação da mortalidade como do bom prognóstico funcional. Foi a escala que apresentou o maior número de validações externas, inclusive no Brasil.

Por não respeitar territórios vasculares determinados e apresentar efeito expansivo, o AVCH ocasiona alterações cognitivas, diminuição do nível de consciência, além déficits motores, sensitivos, visuais, auditivos... A escala de coma de Glasgow avalia adequadamente o nível de consciência, mas não é capaz de identificar as alterações cognitivas como o NIHSS o faz. O déficit motor está associado a dependência funcional, portanto a lesão da via piramidal identificada em todo o seu trajeto por tractografia é uma variável a ser considerada nas escalas AVCH.

Por ser simples e de fácil aplicação o "ICH Score" é a escala mais utilizada, porém ainda não é uma unanimidade entre os especialistas das doenças cerebrovasculares.  


terça-feira, 15 de maio de 2012

Hemorragia intracerebral espontânea: evidências cirúrgicas nos hematomas lobares






          Embora a cirurgia da hemorragia intracerebral espontânea supratentorial permaneça contraditória com opiniões céticas, o desenvolvimento das técnicas neurocirúrgicas através do conceito minimamente invasivo associado a evolução da neuroanestesia   e da monitoração multimodal tem modificado este paradigma paulatinamente.

Hematomas lobares superficiais (< 1 cm córtex) em pacientes com déficits neurológicos mínimos e  com  escala  de  coma  de  Glasgow > 9  sugere  que  o   tratamento   cirúrgico   apresenta  uma  boa efetividade (STICH).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Hipertensão Intracraniana: Fenômeno de Reperfusão






Reperfusão após drenagem do hematoma

As complicações hipervolêmicas encefálicas por reperfusão podem ser hiperêmicas (de alto fluxo) ou oligoêmicas (de baixo fluxo), que, na verdade, são fases evolutivas de um mesmo processo fisiopatológico. Após a retirada da massa expansiva a PPE é devolvida a um leito vascular dilatado pela acidose tecidual isquêmica.

O aumento da pressão hidrostática na microcirculação causa uma hipervolemia e um inchaço encefálico a principio hiperêmico (de alto fluxo), ou seja, associado a um aumento do VSE e do FSE, enquanto a PIC não aumenta significativamente a ponto de decrescer a PPE.

A hiperemia reperfusional pode ser autolimitada (hiperemia reativa transitória) ou pode ser progressiva se a acidose tecidual for grave. Na última situação, um aumento progressivo no VSE transforma um inchaço, que a princípio era hiperêmico, em um inchaço oligoêmico (de baixo fluxo). Esse fato ocorrerá quando a hipervolemia encefálica causar HIC que se associará à baixa PPE até a isquemia global estabelecida. Inchaços causam nova elevação da PIC após a drenagem dos hematomas e devem ser tratados precocemente e rigorosamente para controlar a cascata vasodilatadora, ou sequelas isquêmicas graves e até mesmo a morte encefálica poderão ocorrer. Assim, mais uma vez, mostra-se a importância da descompressão interna (drenagem do hematoma) precoce. Ressalve-se que uma isquemia grave e persistente pode gerar o fenômeno da “não reperfusão” secundário à trombose da microcirculação e ao edema endotelial.

Quando um hematoma que produz HIC não é drenado, o inchaço por vasodilatação isquêmica progressiva ocorre já caminhando diretamente para a oligoemia, não havendo passagem pela fase hiperêmica reperfusional.



Joaquim, M.A.S. ; PATRIOTA, G. C. ; BIANCO, A.M.. Putaminal hematoma. Surgical pathophysiology. Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia, v. 29, p. 69-73, 2010.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Otimizando a pressão arterial na hemorragia intracerebral espontânea



O controle da pressão arterial após o ictus neurológico da hemorragia intracerebral espontânea torna-se um opção terapêutica indispensável para evitar o ressangramento e consequente aumento nas dimensões do coágulo. Estudos com PET (tomografia com emissão de positrons) evidenciaram uma autoregulação cerebral preservada em área de penumbra envolta do coágulo. Portanto, controlar a pressão após o ictus é de fundamental importância na unidade de terapia intensiva neurológica.